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Naquela noite…

Janeiro 25, 2009

Acabo o serão com o desejo de permanecer a ler uma qualquer biblia a eito e preceito e a sintese da gata fascina o descanso a lareira, entre crepitares molhadas chuvas percipitantes no telhado.

Sumaria toda a lenha que a gata precisa e que preciosa é a fogueira, entre o lume encrespado e o vento da madrugada em papel.

-Está frio lá fora? –pergunta ele á princesa Luna.

-Brilha lá alto uma lua tanto ou mais bela do que a nossa! –responde o chão transpirado de seguir na sua pegada.

O ser encontra o gio, e sorridente pio da coruja-mãe, e assim adormece no nó ao Norte.

Pinta agora palavras lavadas na casa-de-banho a quente sangue louco.

Morreu a tossir o seu próprio coração…

Poderiamos ser felizes como a gata gente. Poderiamos ser, uma única vez, o gesto que define o leito, à beira de uma qualquer fogueira… quisemos antes a mortandade do nosso sexo…

E trespassamos o ser com milismos, sem qualquer amarra no coração… ou… interrogação…

De qualquer das formas movemos a perfeição dos gestos aos seus opostos. Falecemos no diletantismo.

E agora que buscamos cantos de solidão, sofremos a memória da únião e da vida… o apagar…estou bem assim…

Temos querido as estrelas há tanto tempo, segurar a lua do nosso lado… Temos procurado o amor em todos os recantos impossíveis da noite até que nos esquecemos.

Se sabiamos beijar secretamente, à margem do rio, jamais o deveriamos ter esquecido! Se sabiamos que a tulipa murchava nas nossas mãos, jamais a deveriamos ter colhido! Se sabiamos que o nosso abraço era mais um passo para a despedida, então porque o demos?

Porque não ficamos apenas a olhar os corpos nus de qualquer vaidade? Pois assim talvez durasse mais tempo…

E porque nunca murmuramos ao vento a alegria que nos fazia ser um só?

Talvez porque “amo-te” seria muito pouco para confessar o tudo que carregamos…

Por fim, nem mesmo os sonhos se manifestavam…

Aguardamos vazios e ocos o início de algo normal, distantes e separados, buscando a fugaz felicidade am cada “amo-te”…

E agora que nossos olhos não se beijam, o que fazer?

Vamos contando ás cartas nossos segredos? Ou bramidos a lua tua o leve apagar da distância?

De qualquer das formas, deixamos de ser nós próprios e só a loucura dos nossos passos se completam.

Apaixonamo-nos…

Tive eu que descobrir a poesia para que me compreendesses! O tacto, a audição, o olfacto, a visão, e até mesmo o paladar não chegou para que o soubesses…

O  meu crime foi saber quem és… mas tinha cada momento que acabar?

Do genesis ao apocalipse… da memória nossa ao tilintar do nosso…

Amor?

 

 

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