Acabo o serão com o desejo de permanecer a ler uma qualquer biblia a eito e preceito e a sintese da gata fascina o descanso a lareira, entre crepitares molhadas chuvas percipitantes no telhado.
Sumaria toda a lenha que a gata precisa e que preciosa é a fogueira, entre o lume encrespado e o vento da madrugada em papel.
-Está frio lá fora? –pergunta ele á princesa Luna.
-Brilha lá alto uma lua tanto ou mais bela do que a nossa! –responde o chão transpirado de seguir na sua pegada.
O ser encontra o gio, e sorridente pio da coruja-mãe, e assim adormece no nó ao Norte.
Pinta agora palavras lavadas na casa-de-banho a quente sangue louco.
Morreu a tossir o seu próprio coração…
Poderiamos ser felizes como a gata gente. Poderiamos ser, uma única vez, o gesto que define o leito, à beira de uma qualquer fogueira… quisemos antes a mortandade do nosso sexo…
E trespassamos o ser com milismos, sem qualquer amarra no coração… ou… interrogação…
De qualquer das formas movemos a perfeição dos gestos aos seus opostos. Falecemos no diletantismo.
E agora que buscamos cantos de solidão, sofremos a memória da únião e da vida… o apagar…estou bem assim…
Temos querido as estrelas há tanto tempo, segurar a lua do nosso lado… Temos procurado o amor em todos os recantos impossíveis da noite até que nos esquecemos.
Se sabiamos beijar secretamente, à margem do rio, jamais o deveriamos ter esquecido! Se sabiamos que a tulipa murchava nas nossas mãos, jamais a deveriamos ter colhido! Se sabiamos que o nosso abraço era mais um passo para a despedida, então porque o demos?
Porque não ficamos apenas a olhar os corpos nus de qualquer vaidade? Pois assim talvez durasse mais tempo…
E porque nunca murmuramos ao vento a alegria que nos fazia ser um só?
Talvez porque “amo-te” seria muito pouco para confessar o tudo que carregamos…
Por fim, nem mesmo os sonhos se manifestavam…
Aguardamos vazios e ocos o início de algo normal, distantes e separados, buscando a fugaz felicidade am cada “amo-te”…
E agora que nossos olhos não se beijam, o que fazer?
Vamos contando ás cartas nossos segredos? Ou bramidos a lua tua o leve apagar da distância?
De qualquer das formas, deixamos de ser nós próprios e só a loucura dos nossos passos se completam.
Apaixonamo-nos…
Tive eu que descobrir a poesia para que me compreendesses! O tacto, a audição, o olfacto, a visão, e até mesmo o paladar não chegou para que o soubesses…
O meu crime foi saber quem és… mas tinha cada momento que acabar?
Do genesis ao apocalipse… da memória nossa ao tilintar do nosso…
Amor?
